TRÂMITA NO PODER LEGISLATIVO PROJETO DE LEI QUE TORNA A FESTA DOS VAQUEIROS PATRIMÔNIO IMATERIAL HISTÓRICO E CULTURAL DE ITABERABA-BAHIA.

por AssisTech Publicidade publicado 26/09/2018 14h54, última modificação 26/09/2018 14h54

Conta o historiador e filho desta terra Juracy Queiroz que no século XVII Itaberaba como sendo um ponto de apoio entre as lavras diamantina e o recôncavo baiano, vários portugueses adquiriram terras naquela época para criatórios de gado começaram a aportar e residir em Itaberaba os primeiros vaqueiros. O vaqueiro do gibão, da perneira, do jaleco, o vaqueiro do chapéu de couro e surgiu dai uma cultura muito forte dos bravos homens do campo, dentre estes o boiadeiro.

O vaquejar enquanto prática sociocultural vem perpassando de geração em geração e se estabelecendo enquanto uma das atividades econômicas mais importantes no município de Itaberaba.

Ao falar sobre o vaquejar, consideramos relevante discorrer sobre a origem étnica do vaqueiro sertanejo e suas funções, quando ainda no período de ocupação do sertão e da instituição dos primeiros currais, há séculos passados, esta região fizera parte da grande história baiana com o trabalho de muitos vaqueiros nas fazendas dos Cincurás.

O ofício do vaquejar é um labor que vem atravessando séculos na história do Brasil, com a expansão do gado pelas imensas terras sertanejas no período da colonização portuguesa, a marcha lenta das boiadas nos ínvios caminhos dos sertões baianos traçou a rota primitiva dos destinos da Colônia que Portugal criou neste lado do Atlântico. Assim, os principais caminhos antigos que surgiram com o pisotear das boiadas serviu de acesso aos principais centros comerciais baianos, sobretudo para conduzir as próprias boiadas que vinham dos sertões desde a barra do rio São Francisco ao rio das Paraguaçu e outros mananciais baianos. Deste modo, tornou-se necessário compreendermos o surgimento do vaqueiro no Brasil, ao refletir sobre os sertanejos que cuidaram dos primeiros currais instituídos por essas terras do sertão baiano. Embora a Historiografia brasileira pareça-nos restrita em relação ao vaqueiro propriamente dito, investigamos quem foram os primeiros

vaqueiros que pisaram por esses solos baianos a partir do século XVI com a chegada das primeiras cabeças de gado à Bahia, trazidas durante o governo de Tomé de Souza, vindas de Cabo Verde, depois de Pernambuco, sendo estabelecidos os currais no litoral e no Recôncavo baiano, onde primeiramente foram instituídos os engenhos de açúcar.

Na região de Itaberaba, desde seus primórdios, por volta do século XVII, a economia desenvolveu-se a partir da agricultura e da pecuária, desta em maior grau do que aquela. Sobretudo, nas terras do mestre de campo da Casa da Ponte, Antônio Guedes de Brito e seus herdeiros e posteriormente dos Cincurás e outros grandes pecuaristas.

Assim, compreendemos que o vaquejar apresenta, grande importância na cultura local. Ainda hoje, no século XXI, se pode ouvir o aboiar do vaqueiro trabalhando, tangendo gado através da caatinga, soltando-os no pasto ao alvorecer e recolhendo-os aos currais no fim do dia.

Ao reportarmos sobre a pecuária extensiva que se estendeu até o final do século XIX, onde o absenteísmo do criador não era incomum, embora o vaquejar exigisse mão de obra mais qualificada, apresentou aspectos diferenciados de uma região para outra, sobretudo nos sertões baianos. Assim, em certas propriedades alguns vaqueiros cuidavam do gado e dos serviços associados à criação, sendo também responsáveis por comercializar o rebanho, fazer a partilha, organizar as ferras, etc. E, consequentemente, a responsabilidade do vaqueiro de cuidar e comercializar o gado, esse modelo ainda se estabelece em pleno século XXI na região de Itaberaba.

Quanto às indumentárias e ao modo de trajar do vaqueiro, além de servir com um artefato de proteção, representa seus valores culturais, demonstra identidade com a profissão. O trajar do vaqueiro é de um indumento singular que o define e o distingue do homem de outras culturas brasileiras.

No transcorrer do seu trabalho, o vaqueiro está sujeito a perigos, dificuldades e desafios naturais constantes. Ao sair para o campo, seus conhecimentos adquiridos durante anos de experiências, podem ser a peça chave para superar dificuldades de forma aparentemente natural, se valendo de práticas e saberes populares ancestrais. Os conhecimentos herdados, passados de pais para filhos ou de avôs para netos, podem surtir resultados eficazes durante suas atividades laborais.

Uma pratica cultural importante, é o ato de se benzer ao sair para o campo, e tal ação faz parte de uma das crenças do vaqueiro que tem por certo, que esse simples ritual lhe trará proteção de tudo quanto for perigoso em determinadas circunstâncias, algo que remonta à tradição da “Festa do Vaqueiro”, celebrada no dia 12 de outubro, mesma data da Festa do. Dia das Crianças e da padroeira Nossa Senhora do Rosário.

Diz a lenda que, em uma sexta-feira da Paixão nas altas horas da madrugada as almas cantavam em cada encruzilhada. Um vaqueiro, preocupado com a falta de um boi no curral, demonstrava grande aflição. Teria que ordenhar as vacas sob as ordens de seu patrão e a falta do reprodutor no local dificultaria a ordenha, pois, a companhia do reprodutor estimularia uma maior produção de leite. Montou em seu cavalo branco, trajando roupas de couro tendo o chicote na mão direita e as rédeas presas na esquerda, corpo ereto, cavalgar perfeito, acompanhado de seu cão de raça, partiu esperançoso à procura da rês.

Na encruzilhada, velas acesas fizeram-no lembrar-se do dia santo, contudo achou mais importante não aborrecer o seu patrão, opondo-se deste modo às crenças populares. Galopando, ouvia ainda o cantar das almas. Continuou em sua busca, aboiando, guiado pelo faro do cão.

Ao aproximar-se da ladeira que levava à capelinha do Bom Jesus, o cachorro de orelhas erguidas e olhos brilhantes revelou a presença do que procurava. A madrugada vagava em notas de pequena claridade quando no topo do monte, por detrás da Capela, mugiu o animal indomável. Aproximou-se cautelosamente empunhando o laço feito de corda grossa, cantando a mais bela canção para domar o animal furioso. O touro recuou raivosamente, o cavalo relinchou ouvindo-se ao longe o canto dos galos.

Então, o boi saiu em disparada, tendo no seu encalço o vaqueiro dirigindo-se para o despenhadeiro, uma pedra escorregadia; o vaqueiro percebendo tarde demais, que a morte o esperava atraindo-o para o precipício.

Ouviu-se um grito penoso... A queda foi inevitável! No chão o corpo sangrento e em cima o badalar do sino dos anjos. E foi o vaqueiro... Levado pelo vento da madrugada nos primeiros raios de luz. E até hoje as almas cantam em cada encruzilhada para a alma do pobre homem... Que penou durante anos... E assim a pedra, passou a chamar-se Pedra do Vaqueiro, ainda

admirada e visitada pelos supersticiosos no dia Santo da Paixão e pelos vaqueiros no domingo que antecede a festa da Padroeira Nossa Senhora do Rosário.

De maneira que dado o valor histórico e cultural para o Município, o Vereador Bodinho Neto apresentou Projeto de Lei, tornando “A FESTA DOS VAQUEIROS PATRIMÔNIO IMATERIAL, HISTÓRICO E CULTURAL DE ITABERABA”. Que encontra-se em tramitação no Poder Legislativo Municipal.

Adicionar Comentário

Você pode adicionar um comentário preenchendo o formulário a seguir. Campo de texto simples. Endereços web e e-mail são transformados em links clicáveis.